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KOELLREUTTER (Freiburg, Alemanha 2/09/1915 – São Paulo, Brasil 13/09/2005)

Músico (compositor, flautista, regente, educador, pensador). Chegou ao Brasil com 22 anos e influenciou toda a comunidade musical da época e foi professor de várias gerações de artistas. Foi responsável pela introdução do dodecafonismo (técnica de composição de 12 sons criada por Schoenberg) no Brasil e criou, entre outras atividades, o Música Viva , movimento que revolucionou a cultura e a música brasileiras em meados do Século XX.

Introdução à estética e à composição musical contemporânea segundo Koellreutter:

Um livro que nasceu do entusiasmo de duas alunas do Curso de Composição ministrado por Koellreutter na I Oficina de Música de Curitiba, em 1983. As anotações, os rascunhos e os comentários armazenados por elas eram tantos que o próprio professor sugeriu que organizassem esse material em apostila para ser entregue aos demais participantes. Assim foi que, ao realizar a primeira revisão, Koellreutter, satisfeito e animado com o bom êxito do trabalho, indicou os manuscritos de Salete Chiamulera e Bernadete Zagonel para serem publicados pela Editora Movimento. O lançamento do livro aconteceu em 12 setembro de 1985, dez dias depois do aniversário de 70 anos de Koellreutter.

Daí surge uma longa parceria entre Bernadete Zagonel e Salete Chiamulera:

Dos tempos como alunas do curso de Graduação em Música e depois como professoras da Escola de Música e Belas Artes do Paraná.

Das semanas vividas em Paris quando, de volta de seu curso de especialização em piano na Polônia, Salete se hospeda na casa de Bernadete que fazia seu doutorado em Musicologia na Sorbonne.

Das conversas informais de onde surgiu a idéia de fazer homenagens ao compositor e querido amigo Pe. José Penalva que, já em seguida, se transformaram no Festival Penalva.

Dos estudos, reflexões e trabalhos constantemente compartilhados, que proporcionaram um crescimento mútuo.

Das idéias e sonhos ainda não realizados...
Permanece uma sólida amizade.


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ENTREVISTA COM H.J. KOELLREUTFER

Realizada em Março de 1991 por: Bernadete Zagonel e Salete Chiamulera

O maestro e compositor Hans Joachim KOELLREUTTER, nascido na Alemanha e naturalizado brasileiro, é um dos grandes nomes da música contemporânea. Desde 1937, quando se radicou no Brasil, vem contribuindo para a renovação da música erudita em nosso país. Seu destaque como professor se fez sentir em todo o mundo, como fundador de escolas de música na Índia, Japão e no Brasil.

Como compositor destaca-se, como uma das grandes expressões da vanguarda, tendo seu trabalho baseado na “estética relativista do impreciso e do paradoxal”, diferente da estética musical tradicional. Nessa conversa com Bernadete Zagonel e Salete Chiamulera, ambas as Professoras de Música e organizadoras do livro Introdução à Estética e à Composição Musical - H.J. Koellreutter, Porto Alegre 1987, HJ.K. nos fala um pouco de seu mais recente trabalho musical.


AM: O que é a “estética relativista do impreciso e do paradoxal”?

K: É uma estética que parte do ponto de vista de que há um universo sonoro subjacente a todos os fenômenos sonoros, que está além de todos os fenônmenos, e não pode ser percebido pelo homem, aparentando uma ausência de som, ou seja, o silêncio. Assim, o silêncio em verdade, consiste de um universo de sons inaudíveis, não deixando de ser, em última análise, a essência de todas as formas musicais.

Para a estética relativista o som é apenas uma pequena parte do universo sonoro, um no de energia que não está claramente delineado em relação ao todo.

AM: Além da noção de som-silêncio, o que mais seria importante dentro dessa estética?

K: A noção de tempo. O tempo é ma forma de percepção que muda de pessoa para pessoa e cultura para cultura. Tem a função de relacionar as coerências com o ser humano. Se não tivesse ocorrências, não haveria tempo, porque ele é infinito.

AM: Qual a sua mais recente composição?

K: Chama-se Rôdô - Um Monumento. Rôdô é uma palavra japonesa que significa trabalho. Foi criada especialmente para a reinauguração do Teatro José de Alencar, em Fortaleza, cujas obras de restauração duraram dois anos. Escrevi então uma música para os instrumentos e os ruídos utilizados durante a reforma do teatro, ou seja: corrupios, furadeiras, serradeiras, furadeiras e lixadeiras (elétricas e simples), aparelhos de marcenaria, martelos, etc. De executantes (em torno de 95) foram s próprios operários, misturados a um grupo de alunos meus.

AM: Como a peça está estruturada?

K: Ela tem a duração de 12 a 14 minutos, e divide-se em três partes adicionada de um final com coro falado. Na primeira parte, fachos de sons móveis (notas longas que vão mudando de timbre e colorido) são produzidas por um conjunto de serras, corrupios, aspiradores de pó, furadeiras simples e elétricas, cortadeiras de granito e lixadeiras simples. Na segunda parte, não composta, caótica, sons diversos são produzidos por esses instrumentos, associados a máquinas pesadas, latarias diversas, sons vocais, com o intuito de reproduzir toda a sorte de ruídos próprios de uma construção. Como clímax houve uma invasão das motocicletas dos batedores da polícia militar. A terceira parte é uma composição polifônica para martelos de vários formatos. Os silêncios pontuados pelas pancadas ritmadas dos martelos dão uma certa idéia de ordenação após o caos. Para finalizar ou vê-se trechos de um poema de Rossini Camargo Guarnieri. Resumindo: a primeira partiu da idéia da monotonia tediosa, socialmente triste do trabalho dos operários. A segunda, evoca o caos e a poluição sonora das cidades, interrompida pela polícia (a ordem vigente). A terceira representa a transcendência de tudo isso, pela ordem da arte - no caso, a polifonia dos martelos.

AM: O que o senhor entende por “caos”?

K: Sob o ponto de vista estético, o caos também é ordem, e resulta da equivalência dos valores. E um conceito da probabilidade. Se todos os elementos têm o mesmo valor estatístico, acontece o caos.

AM: E agora, quais as suas perspectivas de produção?

K: Estou trabalhando em WU LI, inspirado principalmente nas rendas do Ceará. Nas rendas porque esta música é escrita em forma de diagrama. É como a fotografia: há a imagem positiva e negativa. Os sons se tornam silêncio e os silêncios se tornam sons.

AM: O que significa WU LI?

K: Estas palavras chinesas, se pronunciadas como escritas em português significam: estruturas de energia orgânica, caminho, contra-senso, iluminação, perseverança das idéias.

AM: E do que consta estas peça?

K: Trata-se de uma música experimental, onde o experimentador é o centro da atuação artística. Não é uma obra musical mas um ensaio. Encontra-se entre a música composta e a improvisada. Acredito que o concerto como expressão social da música não interessa mais à sociedade. No futuro, será substituído pela apresentação em público de improvisações individuais e/ou grupais espontâneas. WU LI é uma música objetiva que desconhece a divisão rigorosa entre as realidades subjetiva e objetiva. O dualismo compositor/intérprete-ouvinte deixa de existir pois intérprete e ouvinte tornam-se co-autores.

AM: Qual a técnica de composição usada?

K: É uma composição planimétrica, ou seja, uma maneira específica de ordenar música estruturalista, em que unidades estruturais substituem os tradicionais elementos da música (melodia, harmonia, tempos fortes, etc.).

AM: O que o senhor considera essencial para o compositor?

K: Acho que ele não deve visar trabalhos para a posteridade. Deve aprender a trabalhar para a sociedade na qual vive, assimilar a realidade atual e fazer música funcional.

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